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No caminho Do sempre quis Tanto foi que fiz Na estrada Do tanto faz Percorremos Para trás.
Apagar o apego já que é Difícil encontrar o desapego. Apagar o desejo já que é Difícil esquecer sem fraquejo. Apagar o amor já que é Difícil superar a dor. Apagar o sentimento já que é Difícil ter sortimento. Apagar para tentar consertar Porque nada está certo. Apagar as memórias Para tentar viver de vitórias. Apagar as histórias para Não viver de derrotas. Apagar o passado para Vivermos melhor o presente. (Jean Carlos Fontes e Leonardo Handa)
O anel Eu estava ali Meio distraído Quando te vi. Seus olhos Piscaram timidez E eu retribuí. Cheguei mais Mexi os lábios E te pedi. Você aceitou Pularam faíscas E eu tremi. No meu ninho Te abriguei E curti. Com os dedos Acariciei devagar E abri. Depois me permitiu Eu me abriguei E gemi. Léo SH.
Eu vou Eu vou fumar todos os cigarros. Vou desaparecer com a fumaça. Vou consumir todos os remédios. Vou sumir com a ansiedade. Vou procurar todos os métodos, vou seguir nos erros. Vou revirar os vodus. Vou beber a macumba. Vou ao submundo. Vou morrer para ressuscitar. Vou beber aquele veneno. Vou tragar todas as derrotas. Vou viver a mesma situação. Vou amar outra pessoa. Vou prosseguir como estorvo. Vou seguir como perdido. Vou chorar a mesma música. Vou escrever um novo roteiro. Vou estraçalhar o meu peito. Vou cuspir o azedo. Vou dar um beijo seco. Vou chupar o amargo. Vou contar os segundos. Vou atirar nos minutos. Vou atropelar um coração. Vou sofrer o caramba. Vou reviver o futuro. Vou viver o passado. Vou praticar o presente. Vou me perder na estrada. Vou pedir uma carona. Vou viajar pelo deserto. Vou ser amigo da solidão. Vou encontrar a derrota. Vou cortar a cabeça. Vou cheirar óleo diesel. Vou ressecar o olho. Vou furar a mão com um prego. Vou subir uma montanha de pó. Vou s...
Delirante Meu último beijo não dado Meu câncer aqui guardado. Meu abraço corrompido Meu soluço empobrecido. Meus olhos repletos de água Minhas narinas com sangue Minha pele vazando suor Meu corpo pedindo clamor. Meu penúltimo desejo negado Minha opinião deixada de lado Minha despedida angustiante Seu canalha delirante. lsH
Fica a Saudade Hoje lembrei, ao acordar, de escrever uma carta. Coloquei a água para ferver e preparei o meu café. Lembrei das noites mal dormidas, dos dias sofridos. Dos cigarros derrubados no chão, do cinzeiro transbordando. O sol perfurou a janela e o raio entrou sem pedir licença. Não sou observador, confesso, muito menos sentimental, Mas a cena me pareceu um sinal. Lembrei você. Iniciei os agradecimentos, os olás, o tudo bem. A fumaça do café se misturava com a do cigarro. Contei um pouco da rotina que ainda acabará me matando, Dos estranhos que acabo entregando intimidades, Da moça da panificadora, do chuveiro estragado, Ainda tenho que arrumá-lo. Tenho preguiça. E do roteiro que ainda insisto em não terminar. Percebi que faz um ano. Como foi estranho. O seu perfume adocicado já não mais está presente, Seus discos de new wave eu já doei, O anel, penhorei. Não quero apavorar a sua paciência No entanto, ainda recebo as suas revistas femininas. Se possível, cancele a assinatura. Se ...
Lua O instante Da carência Na lágrima Que escorre Do céu Lembrando O que passou E um dia voltou Mas o presente É vivo E acabou. A solidão No instante E a carência Está. Na lágrima Que escorreu E no dia seguinte Morreu. l.s.H