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Algum exercício para tirar a mente desse marasmo. Algum tempo que valha para tirar esse relógio do estorvo. Algum fruto que sirva de melhor alimento do que a maça oferecida pela serpente. Alguma metáfora que contribua para a sobrevivência diária. Alguma canção que exploda com gratidão o meu tímpano. Algum político que além de promessas ofereça a prática. Algum conteúdo que nos encha de satisfação ... e nos faça caminhar o mesmo trilho. Algum problema que nos desencaminhe para o lado errado. Algum acerto que se mostre errado para provar que o correto às vezes é um grande saco incômodo. Algum soco no rosto que ajude a melhorar essa cara. Algum provérbio que seja citado erroneamente e influencie todos os estudantes retardados. Algum administrador que provoque o caos em uma grande empresa. Algum capitalismo para ressaltar que o modelo socialista não deu certo. Algum socialismo que apresente ao capitalismo como se deve seguir o momento econômico. Alguma frase confusa que faça pensar. Alg...
A alma está meio grunge. Sei lá se acordou assim. Não lembro. O dia anterior foi de destruição, quando decretei o meu corpo em estado de calamidade pública. Agora, neste momento, se encontra fumando um cigarro, dedilhando uma guitarra desafinada e grunhidos milimetricamente desajeitados. O dia clareia. Um pássaro pousa na fiação elétrica enquanto o sol parece dizer, solitariamente: mais um dia vagabundo está surgindo. Aproveito o embalo e pego minha camisa xadrez de flanela que estava no criado mudo. Ela fede a maconha, incenso de Flor de Lótus e falsificação de Hugo Boss. Como não lembro se dormi, até que estou contente. Deixo de lado a guitarra e sigo até a cozinha preparar um café. Acendo o fogão com um Zippo que tem um adesivo do Pato Donald. Estranhamente, parece que ele está sorrindo para mim enquanto derramo pó de café no azulejo cinza. A água já fervendo e ouço: Bom dia! Caralho, tinha mais alguém neste apartamento? Eu trouxe alguém? Dormi com quem? Por que não lembro...
Eu quero ser o Mefisto para te satanizar. Quero beber o seu chorume para me santificar. Eu quero ser o seu Verlaine a disparar E vê-lo como Rimbaud aos poucos se fechar. Eu quero ser o Bucowski para te marginalizar. Quero ser a Julieta com o veneno a tomar. Eu quero ser o Catulo para em obra te eternizar. Quero como Polifemo em prados a chorar. Eu quero como Castela o seu corpo velar. Eu quero como Garcilaso em poemas te amar. Quero ser o São Francisco de Borja a abandonar Não assumindo a corte para se apaixonar. Eu quero me dar um tiro na têmpora Como Werther quando com Carlota Em nenhum momento pensou em se casar. Quero ser como Ana Karenina a abandonar O próprio filho para um dia se matar. Eu quero ser como Sandokan a lutar Pela pérola de Labuan a se entregar. Quero como Lancelot a se sacrificar Traindo o seu mentor para se casar. Quero como Robin Hood a raptar Para um dia com Lady Marian copular. Eu quero ser a Beatriz a resgatar ...

31 em 1

31 motivos para se ter pressa. 31 motivos para ficar contente. 31 motivos para se ausentar. 31 motivos para comemorar. 31 motivos de felicidade. 31 motivos para não mais te abraçar. 31 motivos para um novo amor. 31 motivos para refletir. 31 motivos para o 31. 31 motivos para o agosto. 31 motivos para comemorar o 1. 1 motivo para celebrar 31. 1 engatinhar para alcançar o 31. 1 sorrir para derrubar 31 pessoas. 1 fato para alegrar o 31. 1 riso para derreter o 31. 1 florescer de 31 sementes. 1 sentimento desbrochando em 31 adjetivos. 1 vida inteira em 31 compassos. 31 motivos para festejar 1 único acontecimento. 31 felizes aniversários e 1 continuar crescente. 

O seu maior erro

Hoje resolvi bisbilhotar. Quando faço isso, um pouco adoeço. Não entendo esse meu sadismo. Mas outrora já fui mais destrutivo. Nada melhor do que anos para esclarecer. Algo que ainda você tem muito o que aprender. Afinal, eu concordo contigo: eu fui o seu pior erro. Não saio por aí no berro. Eu entendo, participei do enterro. E nada quero explicar. Cada qual acredita na mentira que lhe cabe. Pelo bisbilhotar, impossível triste ficar. Ferida maior eu já precisei curar. Mesmo assim, curti enquanto pude. Percebo que apenas a injustiça. Isso não vem mais ao caso, ao acaso, ao fracasso. Palavra melhor não há: escasso. Bem escasso.

Prontos. Além. Enfim.

_Prontos para ficarem mais velhos? Preparados para percorrer o mês no afoito das horas que vão liberando nos poros a pureza da idade? Virginianos em questão, com os olhos cerrados cercamos as semanas para explodirmos como os leoninos que antecedem a data. Particularmente, no 31 mais um gosto saliva para cá. Especialmente um número, quase um sentido cabalístico ou seja lá o termo apropriado. Só sei que exalará, sabe-se já além. Portanto, pronto com o gostar do novo as roupas do presente eu quero me guiar. _Além das vestes e dos sabores, algo especial emana. Há um ano um novo ser iluminou o 31, que neste ano faz 1. E és 2012. Os dois últimos, somados, foram o 3, que diminuido com o 2 inicial, se mostra 1. O início, mesmo havendo o zero para dar a partida. E 31, além, também é a marca registrada na alma, como um novo código de barra que aflora. _Enfim, preparados para ficarem mais velhos? Lógico.
Meu lado mais obscuro quer amar, mas é o lado claro que odeia. A normalidade sacia o meu excesso de confusão passada.