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Lua

O instante Da carência Na lágrima Que escorre Do céu Lembrando Do que passou E um dia voltou Mas o presente É vivo E acabou. A solidão No instante E a carência Está. Na lágrima Que escorreu E no dia seguinte Morreu. l.s.H
Você se lembra o dia em que nos encontramos pela primeira vez? Provavelmente eu estava bêbado. Com certeza estava. Mas eu recordo a minha primeira frase. Na realidade, foi uma pergunta: tem fogo? A noite estava fria e em frente àquela boate indie, dividimos o cigarro. Cigarro mentolado, que eu odeio. Era o que tinha. Só o aturei por causa da conversa, que estava agradável e porque você usava uma camiseta do Bikini Kill. Claro que eu recordo. Sim, você estava bebaço. Enrolava  cada sílaba, que eu completava com "arrams", "tá certo" e "concordo contigo". Eu também odiava cigarros mentolados. Não foi aquela noite que você vomitou na fila para sair? Depois de ter beijado um menino que a Roberta queria? Foi sim, tenho certeza, pois eu estava sóbrio. Verdade, tenho um fragmento de lembrança, mas acho que foi. Cara, que DJ ruim tocou aquele dia. Cheguei cedo com a minha galera e estava tocando The Killers. Porra, era uma boate indie. Eu esperava algo meio...

Me Deixo

Hoje vejo o mundo Como uma Mavica Com problema no foco. Tudo está leitoso E o céu borrado De um azul jocoso. As luzes dos carros São vaga-lumes amassados Que perdem a cada metro O sentido de viver. Pela estrada, não vejo E quando percebo Um Volvo eu encontro E não há socorrer.  Agora vejo o vermelho Que escorre até o queixo Vou fechando os olhos E assim me deixo. 
Creio veemente que certas pessoas confundem o significado da auto-estima. Alguns a utilizam como sinônimo de “rei na barriga”, de donos da verdade absoluta. E, claro, esses indivíduos não possuem a capacidade de dizerem: desculpe, errei. Suas respostas são agressivas e suas atitudes peculiares (para não dizer algo ofensivo). Tamanha é a dificuldade de assumir as consequências que preferem apelar para a defesa desenfreada, ressaltando suas qualidades, que podem ou não ser duvi dosas, e partem para a famosa ignorância, essa vizinha da maldade (sim, a frase é daquele poeta). Com certeza você conhece alguém que é repleto de esperança quanto ao futuro, que é admirado por uma parcela do eleitorado, porém, carrega consigo uma arrogância disfarçada de ingenuidade. Não é auto-estima, não. É mecanismo de defesa. No fundo, lá impregnado no peito, internamente, essa pessoa canta aquela música do Karnak, cujo verso diz: “eu era convencido, agora não sou não, porque cheguei à perfeição”.

Repugnante Tormento

Remete uma canção Na dor mais antiga Da eterna paixão Pelo pó que levantou. A lágrima absurda Ecoa surda no berro Da repugnante tradição. Há tiros na escuridão E silêncio na infância Que insiste em se perder No tempo da conclusão. Sopra no barro um remorso Causado pelo tempo, Socorre ao álcool Um pouco mais de lamento. A lágrima absurda Ecoa surda no grito De repugnante tormento. lsH
Nos segundos falecidos eu vejo a derrota E amplio com dicotomia, pois não é a verdade. Trato o acaso como um passado empoeirado E reflito neste pouco que nada está atrasado. Tudo se trata de período contido Que poderá ser resgatado em um dia oportuno.

Let it be

Deixem que o Buzzfeed, cupcakes e seus Gifs de gatinhos te enganem, pois vivemos numa época em que o fofo e o feliz, especialmente o feliz, é alvo de rejeição cínica. Ser taxado de ranzinza, sarcástico e frio se transformou em elogio. Assim como a protagonista do filme Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh, artistas que exalam tais qualidades como Zooey Deschanel ou Clarice Falcão são alvos imediatos de uma recusa. Isso apenas impede parte do público de perceber que, para os dias em que a depressão de um Ok Computer não é adequada, existem discos como o Volume 3.