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Em uma constante...

... loucura. Os pensamentos não são mais ordenados. As coisas fluem de maneira psicodélica. Uma carência cafona amplifica a situação. E a destreza sacode a vontade de lutar. A vida ainda existe, mas o coração se fecha no momento em que deveria se abrir. A imaginação voa e perfura o céu das possibilidades. O arrependimento se faz presente. Então, a cautela é mantida. É tão bom escrever subjetivamente. Um verdadeiro exercício para a escrita. Os lamentos melodramáticos de futuros auxílios se parecem com meninas perdendo a virgindade. Por vezes aparece o prazer, por horas a dor. Mas quando é liberada a torneira dos fluídos, complicado é fechar o vazamento da sede carnal. Não há como escrever, tem que fazer. E o subjetivo segue comendo o couro que sobrou da noite passada. Aliás, o momento foi registrado com os lábios, ficou marcado nas costas, no pescoço e no queixo. A cicatriz do sentimento antigo ainda sangra uma vontade carinhosa. O desenterro do cadáver comido pelos vermes do amor marco...
... E a noite chegou novamente. A puta começou a se preparar para sair, em busca do dinheiro do aluguel, do vício, da bebida e dos salgadinhos que comprava na mercearia do senhor Augusto. O beijo ainda insistia em permanecer na memória. Desculpe não apresentá-la antes, mas ela se chamava Fabrícia Albuquerque. Com o passar do tempo, desistiu do nome. Começou a atender pela alcunha de Miss Loveface após ter ganhado um concurso de rainha gay, promovido pela Associação dos Amigos das Marias Madalenas, coordenada pela dona Clara, mãe de um traficante que largou uma boca de fumo para virar palhaço de rua. Mesmo assim, nas horas vagas ele ainda praticava o comércio ilegal dos ilícitos, porém, sem negócio próprio. Isso é outra história. Voltemos à Miss Loveface. 19h34. Marcava o relógio comprado em um camelô. A prostituta colocou no micro sistem um CD gravado por um amigo jornalista que ela acabou conhecendo em uma cobertura jornalística sobre meninas que abandonaram as famílias para se tornar...

Ela quer a continuação do beijo

Um retorno garantido pela parte financeira que lhe propôs. Nada mau para uma noite de quinta-feira, geralmente subestimada devida à véspera que ela herda. Trata-se da sexta-feira, dia mais lucrativo para as garotas que exibem as suas qualidades em pedaços sumários de panos. Quando ela retornou ao seu ponto, não conseguiu esquecer o beijo. O sabor destacado do batom ainda invadia com satisfação a lembrança. Procurou a outra entre as ruas escuras do bairro. Não sabia o seu nome, nem recordou como tudo aconteceu. Apenas desejava mais um toque labial. Percorreu por horas as calçadas irregulares, muitas com corpos narcóticos jogados como se tivessem sido abandonados por suas almas. Em algumas vezes, ela tropeçava neles com seu salto 15-momentos-de-altura-garantida-que-já-matou-um-nefasto-homem-que-fodeu-e-não-quis-pagar. Ela ficou muito puta e cravou a ponta agulha na cabeça do infeliz. A meretriz perdeu as cadeiras. Logo após o acontecido, se sentiu orgulhosa. Afinal, ela nunca tinha matad...

Beijo

Um beijo confuso. Molhado. Quente. Ardente. Propositalmente acontecido, acompanhado de um roçar lento de narizes. Situação orgástica. O lábio deslizava pelo queixo e o rosto áspero procurava o carinho da mão. Os olhos úmidos cruzavam visões com ângulos fechados. Os dedos tinham cheiro de fumaça, de uísque, de grama cortada, de sangue. As unhas borradas eram escárnios, de uma rudeza completamente bela. A maquiagem torta estava apanhada. Havia uma escuridão nos cílios que causava uma vontade doentia de iluminá-los. A boca era de um desenho estranho, quase cubista, mas que se encaixava perfeitamente. O toque lento por vezes ficava afoito. A respiração lenta acertava os póros que rebatiam novamente o ar. A pele morena ganhava proporções de pintura perfeita enquanto as luzes dos carros refletiam na tez. Após o beijo que pareceu um canto dissonante de elfos clamando alegria, o mundo começou a ser um lugar bonito. A brisa da noite tinha aroma de baunilha. O silêncio se fez presente. Apenas um...

Falas Cortadas

Um triste Olhar Enquanto o sono Vadio Vinha buscar A atenção vazia Do seu amar. Conversa em crise Em calados momentos Mortos em gritos De exatos tormentos Recriados ao lado Do puro jogado Desejo obsceno Não realizado. Vontades Contadas Em sono Ausente Que agora se esvai Em profundo soluço Sentido presente Nas falas cortadas. L.S. Handa

Repugnante Tormento

Remete uma canção Na dor mais antiga Da eterna paixão Pelo pó que levantou. A lágrima absurda Ecoa surda no berro Da repugnante tradição. Há tiros na escuridão E silêncio na infância Que insiste em se perder No tempo da conclusão. Sopra no barro um remorso Causado pelo tempo. Socorre ao álcool Um pouco mais de lamento. A lágrima absurda Ecoa surda no grito De repugnante tormento. L.S. Handa
Pirotecnia acertando os olhos cor de jambo, enquanto o último raio solar acerta o coágulo de pensamento que evapora com o álcool. Passa pelo lado errôneo da superficial vida que ela entrega em sorriso. Deixa-se bela em uma imagem guardada em um porta-retrato comprado em liqüidação. Evapora em meio a neblina que cega a visão sedenta por coragem. Mas desiste quando uma canção estraçalha a vontade de ganhar. Ainda corre através do tempo um sentimento antigo com desejos camuflados. A pele demonstra a situação e a boca sela os segredos oportunos que não serão vomitados. Uma perfeita contradição explode junto ao peito que emite um ruído quase agudo, que até os surdos entenderiam. Mas aqueles que não preferem ouvir ficam mesmo na discrepância. Afeto por afeto, ela se satisfaz em solidão.Carrega em si um desafio tosco, enfeitado pela publicidade que fere a imaginação deturpada. Fala de felicidade alheia e esquece a sua. Perde-se na memória, tornando-se mártir esquecido. Isso é a vida.