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Todo dia

Todos os dias penso em você. Mas hoje foi diferente. Talvez por ser uma data muito especial. São seus 22 anos completados. Acordei porque tive um sonho contigo. Não lembro agora ao certo. Eu te beijava. Eu sei que você não era fã dos meus beijos. Isso me faz lembrar do nosso primeiro. Para mim, fantástico. Para ti, estranho e confuso. Sai do seu apartamento flutuando, louco que o dia seguinte chegasse. Aquelas borboletas no estômago, que achei que nunca sentiria novamente, haviam voltado.  Passou apenas um dia e te convidei para um acampamento em comemoração ao aniversário de uma amiga. Atualmente, ela também é sua amiga e sente saudades de ti. Esqueci de levar o colchão de ar. Rimos da situação. Foi uma noite fria, a qual eu vi uma estrela cadente. Você também disse ter visto. Eu fiz um desejo. Infelizmente, ele não se realizou. Caso tenha feito um, espero que tenha se concretizado.  Naquela noite, dormimos nos olhando. E abraçados por causa do clima. Dos vários climas. ...

A pequena sala das canções ridiculamente que falam ao coração

Sentado. Nunca tinha chorado tão sinceramente com uma canção. E foi ridículo. Logo numa música do Tiago Iorc? Digo isso porque nem sou fã do cara, apesar de suas boas composições. Mas “Um Dia Após o Outro” me derrubou. Eu parecia um bobo, abraçado ao violão, no sofá, com os olhos suados. Escutei-a mais de uma vez, até tirei as notas de ouvido. Ao tentar cantar, embarguei. Algumas frases eu executava como mantras, pegando aquelas verdades para interiorizar na mente, guardadas em uma caixa frágil, pronta para você abri-la. Infelizmente, não tinha ninguém ali, ninguém com a bondade de ver o que tinha dentro dela. E você não é ninguém. É aquilo que um dia eu queria guardado em um potinho, num pensamento totalmente egocêntrico. Enfim... Como sabe, após um vídeo do Youtube terminar, inicia outro automaticamente. O destino (que sabemos que é um conjunto de programações cibernéticas) colocou o álbum da Clarice Falcão. Pode? Novamente, como uma criança que ralou o joelho ao cair de skate, ...

Dói. Ainda.

Hoje sonhei contigo. Foi tão bom. Eu chorava de felicidade por te beijar. Sua língua dançava com a minha e eu acordei aflito, aos prantos. A saudade, ao abrir os olhos, explodiu em meu peito, como uma estaca matando um vampiro. Eu te suguei, você me sugou. Nós nos sugamos. E foi deliciosamente bom. Queria repetir cada chupada. No início, nos deixávamos marcas maravilhosas. Eu as considerava como prêmios, só por você estar ao meu lado. Depois não deixou mais. Fiquei triste. Assim que começamos a namorar, eu fui viajar com um amigo em comum. Gay. Não sei dizer se você ficou preocupado, se ficou pensando em coisas absurdas. Carinhosamente, deixou um hematoma em meu pescoço, um carimbo que interpretei como: aqui não, esse tem dono. E eu, loucamente apaixonado, durante o show do The xx, no momento em que banda tocava “Shelter”, curiosamente, uma palavra que tenho tatuada no braço direito, eu fechei meus olhos e pensei: LMB, te amo pra cacete! Ao acordar de um sonho muito preciso, in...

O capeta cerebral

É uma noite qualquer de quinta-feira. Você sai para beber com seus amigos. Eles sabem do seu problema. Alguns entendem, outros não. A mente humana ainda é repleta de interrogações. Entre o primeiro e o segundo copo de cerveja, repentinamente, suas mãos começam a suar, seus pensamentos ficam confusos, tenta se concentrar em algo, mas apenas enxerga um demônio dizendo no seu ouvido: - chegou sua hora, você vai morrer! O coração dispara e, no peito, você sente uma pressão tremenda, como se o seu pulmão quisesse sair pelas suas narinas. A respiração descontrolada dá a impressão de que não há ar suficiente em todo o planeta Terra. Disfarça, tem palpitações e bebe um gole de cerveja. A conversa na roda de amigos continua e você se levanta, inventa alguma desculpa e sai pelas ruas desesperadamente, procurando acalmar algo que não consegue. Depois de 40 minutos, já em casa, no sofá, ouvindo Iron and Wine, você pensa: - maldita crise de pânico, de ansiedade, depressão, o diabo! Antes de proc...
Como essa saudade está demorando para passar. Fico pensando nos momentos que estaríamos aproveitando nesse sábado de sol. Seria um dia vadio, de brincadeiras, de sorrisos, de cantorias, mas também de mau humor, de sonolência e de neutralidade. Sinto falta disso tudo. Da nossa cama ruim, que doei, dos cigarros na sacada, do silêncio às vezes constrangedor, das garrafas d'água, das falas cortadas e de assistir os mesmos filmes. Eu queria tanto esquecer todas essas coisas, para conseguir seguir. Você me pediu para deixá-lo ir. E eu deixei. Uma grande mentira que carrego agora aqui comigo. Já se foram litros de cerveja, cartelas de fluoxetina, visitas ao pronto-socorro, quilos e fome de menos. Maldita situação a qual não sei conviver, cujo aprendizado já deveria ter ocorrido. E por quê? Maldito amor que vira sofrimento: essa vontade de arrancar o cérebro com um estilete, de perfurar os olhos com pregos, de cortar o coração com uma faca Ginsu. Eu apenas queria hibernar e acordar num dia...

A dor do término de um amor

Quando um relacionamento entre um casal que se ama chega ao fim, caso você seja 50% desse amor e esteja nessa situação, o que faz? A dor e o sofrimento parecem algo infinito. Ambos os sentimentos batem na sua cabeça assim que os olhos são abertos pela manhã, se é que houve uma noite de sono. Tudo é muito difícil. Seus amigos tentam o impossível para te levar às alturas, aconselhando-o com frases de impacto, te tirando de casa, preparando jantares e enxugando suas lágrimas. Mas o que de fato você faz? Fica olhando os objetos que ele deixou na sua casa, cada um com uma história que na sua mente parece algo fantástico. Até uma simples meia se torna a coisa mais fabulosa para se admirar. Ao invés de apagar as mensagens dele do seu celular, repassa uma por uma para lembrar-se dos momentos lindos que passaram juntos. Aí bate aquela vontade de ligar, de escrever pelo WhatsApp, Facebook, Messenger, Google Talk, sinal de fumaça, telegrama, Sedex 10 e o escambau. Sim, eu sei muito bem, como é ...

Monossilábico

Término. Lembranças. Carinho. Amor. Ódio. Conversa. Beijos. Brigas. Desentendimentos. Traição. Carências. Discussões. Sexo. Silêncios. Medo. Insegurança. Vontades. Abraços. Viagens. Sorrisos. Memórias. Fim. Dor. Turbulência. Casal. Dois. Comparsas. Companheiros. Cama. Mesa. Banho. Café. Uruguai. Preconceito. Facebook. Sentimentos. Tristeza. Músicas. Poemas. Livros. Falta. Sinceridade. Covardia. Danças. Família. Cidades. Estudos. Acampamento. Shows. Amigos. Pobreza. Dinheiro. Emprego. Estágios. Festas. Álcool. Drogas. Lágrimas. Cansaço. Flatulência. Sono. Preguiça. Recomeço. Angústia. Irmãos. Calos. Caos. Reconhecimento. Admiração. Intriga. Cigarros. Sofá. Cobertor. Pão. Leite. Mercado. Compras. Divisão. Louça. Roupas. Prateleira. Vinil. Energia. Sobrinhas. Olhares. Alianças. Pulseiras. Coturnos. Bombons. Príncipe. Raposa. Planeta. Estrelas. Sol. Lua. Fotografias. Cachoeira. Procura. Loucura. Afago. Braveza. Inveja. Contradição. Idiossincrasia. Caminhos. Praia. Carnaval. Barraca. Cerve...