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Maria encarnada neste corpo. Todo sábado é dia de mandar as mariposas embora. Confesso, sem vergonha alguma, não sei cozinhar. Para recompensar, limpo um banheiro perfeitamente, de dar gosto ao Bombril. O som que acompanha essa sabatina é The Cure. Já gritei passando pano que meninos não choram, que na sexta-feira fico apaixonado e que às voltas naquele carrossel, eu beijei teu rosto e tua testa. Robert me dá razão enquanto dou um tempinho na limpeza e fico aqui escrevendo essas bobagens. Bom, vamos então para a lavanderia que a roupa branca me espera para um romance nada ideal.
Da carreira o alívio após. O sol, pela janela, acertava a retina enquanto o ato se fazia de fato. Os pássaros pareciam sem graça, talvez desdenhando o clima. Ele nem se incomodou. Queria aquilo. Desejava. Bufava de alegria depois de anos de auto-controle, se permitindo ser orgulho. Não teve receio algum, só quis se jogar, como se fosse de um ineditismo primitivo, daqueles que despertam uma explosão no tímpano, como um primeiro beijo, como um nervoso na hora do gozo, como uma leoa estraçalhando uma zebra.  Ardeu um pouco, o tempo permitiu o sarar. O sangue se tornou suco e a respiração era calma, mesmo com a adrenalina liberada. Ele estava velho, aspirava pela carreira. Degustou de cada segundo. Comemorou lindamente, afinal, tinha conseguido o tão sonhado emprego que, apesar de aposentado, almejava.
eu também tenho medo e a entrega causa eu também tenho passado mas não quero pausa eu também acho cedo e não me furto pois eu também sou um roubo e respiro sem surto. eu também sou azedo e mergulho intenso eu também sou escuro e tenho um bater extenso.
A linha da minha Está ligada à sua, Mesmo quando O asfalto é a linha Que traça o destino. Queira o futuro Que na próxima O máximo seja Mais perto. lsH
Porque o amor é entrega e recebimento. É açoite, mas é lirismo. Não é dor no início, é alívio. Só se fores virgem. Porque amor é metade cheio e metade vazio. Porque é razão e vazão. Também é introdução, argumentação e fim. É dissertação de vestibular. É conclusão de curso, é tese de doutorado. Porque amor é bom e ruim, mas se percebe, contudo, que é explosão de sentimentos. É tarefa para bem-humorados. Não pode ser forçado. Porque amor é sinceridade, é intimidade. São besteir as compartilhadas. Um peido que escapou debaixo das cobertas, uma remela matinal no olho ou pelinhos no nariz. Amor é cuidado e descuidado. É continuado e descontinuado. Porque tem sorrisos, lágrimas, beijos e abraços. Porque é aquela música que marca um momento, de Ting Tings a Cícero. É canção brega que toca em rádio AM. É Odair José, Ariano Suassuna, e.e. Cummings, Grazi Massafera, Roberto e Erasmo Carlos, Bee Gees, Jesus Cristo, Armando Nogueira e Chicholina. Porque amor é orgasmo, é coito interr...
Talvez eu precisasse de um beijo. Talvez não. Talvez seja carência. Ou seria abstinência? De repente eu precisasse de um apoio. Melhor seria um abrigo. Mas talvez um abraço fosse o suficiente, caso você não estivesse ausente. Talvez seja ironia do destino. Talvez não. Ou seria sagacidade do destino? De repente isso é para ser assim. Sei lá. Talvez eu quisesse o contrário. Talvez eu esteja sendo otário. Gostar assim é feio? Talvez não. Talvez sim. Talvez eu realmente precisass e de um beijo. Ou de sexo. Ou de um sexo. Ou dos dois. Três. Quatro. Cinco. Yeah! Yeah! Yeah! Talvez eu precisasse ser menos caótico. Eu deveria ser menos neurórico. Eu precisava ser. Apenas ser. Talvez seja isso. Ou talvez não. Talvez eu precisasse de um sinal. Um dizer. Uma frase. Um carinho. Talvez eu precisasse de um café. Ou de uma garrafa de Jack Daniels. Quem sabe, duas. Talvez eu precisasse de menos cigarros. Não, eu sempre preciso mais. De repente eu coma um chocolate. Ou uma caixa inteira. Talvez eu prec...
Os tempos atuais nos deixam desesperados. Somos capazes de sacrificar as horas por momentos completamente desnecessários. Estamos fadados a um consumismo hiperbólico de futilidades que nos preenche com falsas alegrias. Batalhamos em trabalhos que acreditamos ser corretos, mas que se disfarçam em alegorias gratuitas de motivos para pagarmos as contas no final do mês. E, no fim, descobrimos que o final do mês é como o final do mundo. Sobretudo para essa alcunha que f oi designada como Geração Y. Por que ela se perdeu no discurso e hoje se alimenta de rivotril, fluoxetina e ritalina? A tecnocracia, a burocracia e a busca desenfreada pelo melhor, quiçá, sejam as respostas. O fato é que a ansiedade e a depressão são amigas inseparáveis nessa mistura desenfreada que engrossa a sobrevivência. No entanto, sempre é preciso provar. Provar que somos o melhor filho, o melhor estudante, o melhor desenhista, o melhor namorado, o melhor marido, o melhor músico, o melhor sexo. Enfim, uma cansativa e d...