As cenas são bem parecidas com as do filme de Jim Jarmusch, “Sobre Cafés e Cigarros”. Ambiente esfumaçado, uma conversa fiada sobre o nada, sobre o tudo (sobretudo), barulhos de colheres em xícaras de porcelana. E tragadas, várias e profundas tragadas de causar orgasmos. Ela só queria uma desculpa para sair no inóspito ambiente de trabalho. Convidou sua colega e foram para uma cafeteria/bar que ficava na esquina. Duas mulheres lindas. Ambas morenas. Decoradora e desenhista, respectivamente. O café acompanha o desenrolar de suas falas. Uma quer saber se o absorvente está marcando. A outra precisa descolar uma transa em menos de 24 horas, do contrário terá um ataque epilético. Uma incomodada e uma ninfomaníaca. Duas balzaquianas. Eleanor e Tarsila são mulheres que hoje são vendidas como padrão. Independentes, bonitas, profissionais, bem humoradas e solteiras. Trabalham no mesmo escritório de arquitetura, localizado em uma rua qualquer de um prédio que não lembra coisa alguma. Saíram para...