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Projeto: ações de sobrevivência

As ações que ditam o cotidiano têm se tornado, com o passar dos tempos, cada vez mais reduntantes e pragmáticas, causando um nojo estratosférico nas pessoas que ainda possuem carne no coração. Ou melhor, naquelas que ainda possuem um coração, órgão cada vez mais insignificante que está mutável às intempéries da sobrevivência. Muitos permanecem no silêncio de ridícula beleza retorcida ao invés de dar vazão aos sentimentos. A ignorância rege as regras do caótico e turbulento mundo capitalista. Se fosse socialista, seria pior. A disputa acirrada a complementos financeiros e materiais descaracteriza os indivíduos que um dia tinham algo importante a dizer. Hoje estão escondidos em seus laptops de última geração aprimorada e fabricada em massa em cidades chinesas. Em seus ouvidos estão acoplados celulares que tiram foto, acessam a internet, tocam música, possuem agenda eletrônica e até fazem ligações. O digital impera de maneira tão sofisticada nos seres modernos que muitos pensam ter saído ...

Beijo Acidental

Têm dias em que o álcool desliza pela garganta de uma maneira tão particularmente boa que é impossível ficar apenas na primeira caipirinha. Ou no primeiro beijo da balada. E digo de passagem, se não existia beijo acidental, agora existe. Sou prova viva deste acontecimento. Bang! Espero não levar um tiro depois desta revelação. Eu posso provocar alguns ataques de ciúmes. Mas os fatos já foram devidamente explicados, apurados e concluídos. De tudo tiramos à prova de que a embriagues alheia é uma sensação “be cool”. Eu ainda sinto a canção “Sorry”, da Madonna, atacar meu tímpano. O cheiro de álcool e do tabaco estava impregnado em minhas narinas. Do breu rasgado por uma luz azulada, uma imagem turva se transforma em pessoa. O fácil reconhecimento se fez presente, afinal, a garota é de uma aparência percebível até em uma tempestade de martini. Além de ser muito legal. Outra música batia no ouvido e quebrava na cintura. Ela disse olá e eu contribui com um abraço. O beijo que era para ser no...

Primeiro de abril. Conversa pelo MSN entre eu...

... Gabi e Matheus. Tudo certo, combinamos a noite de sábado. Nada definitivamente programado, apenas saberíamos que iríamos à Age. Ok. Planejado o horário, cada um escolhe a sua roupa, em sua respectiva casa, é claro, ainda não moramos juntos. 23h. Buzina. Matheus e seu Corsa cor prata, pneu dianteiro ligeiramente descalibrado, chegam em minha casa. Pego uma cerveja na geladeira, após uma tarde em companhia do Johnny (Walker). Tropeço em uma pedra. Entro no carro. Imploro por um cigarro. Seguimos pela Genuíno Piacentini. Dobra à esquerda. Agora estamos na Itacolomi. Não lembro mais o nome das ruas. Tudo bem. Próxima parada: avenida Tupy. Chegamos. Comento ao Matheus que estou bêbado e ele me indaga. Dois pontos, nova linha, travessão: - Já? Por que você bebe em casa? E eu, no alto da minha idade, nova, diga-se de passagem, respondo. Dois pontos, nova linha, travessão: - Porque sim (Nossa, que resposta fantástica!). Ah! Porque beber é legal (Sensacional! O complemento da minha resposta...

O casebre dos senhores ditames

Há fogo no céu. Milhares de bombas informativas explodem em questionamentos intermináveis. Algumas pessoas se julgam tão sagazes, mas não passam de joguetes praticáveis. Nem imaginam como chegaram a tal situação. As marionetes necessitam de indivíduos para ganharem vida. Então, do alto de suas sabedorias alcançadas através de conversas de terceiros, vomitam trabalhos formidáveis. Para ingênuos, diga-se de caminhada. Um alto grau conquistado por memorandos imaginários que os jornais não noticiaram. Podem ser gravações clandestinas. Quem sabe comprometimento de lealdade. Mera desculpa de subordinados que abrem as pernas para deixar entrar qualquer conversa bem pontuada. É assim que a comunicação vai virando profissão de risco. Prostíbulos são abertos todos os dias. Atrozes políticos têm o tino de cuspir com pontaria cirúrgica. Até os espertos se confundem em lábias agorafóbicas. O coro é descontente. Também é válido. A crueldade está no cênico: ciência do disfarce, primo-irmão do teatro ...

King of the road

Segue pela estrada. Sozinho. As únicas companhias são as estrelas e o rádio ligado em uma estação qualquer. O locutor parece estar travando um monólogo quando anuncia a próxima canção. "A love that will never grow old". O motorista sente uma fisgada no coração. A lágrima não demora e se joga do olho. Ele relembra o amor perdido. Continua em linha reta. Perde a direção. Estaciona o carro. Acende um cigarro. Um frio corta o lábio e ele imagina estar envolvido em braços que perdeu. Fica mais um pouco no conforto do inverno que deixou perder o coração. Não entende o por quê de certas coisas. Procura por explicações que não existem. Não compreende. Percebe que está rodando em círculos e sente os disabores do amor. Aumenta o volume do rádio e se deixa guiar pela música. Triste. Entra no carro. Volta a dirigir. A canção acaba. Inicia outra. Mais dolorosa, mais melancólica, mais claustrofóbica. Ele sente a falta, intensa, forte, cortante como o frio que faz na estrada. O inverno nunc...

O Bonde do Bom

Atravesse pela porta da frente, pois essa é a saída. Não quero mais mostrar os caminhos, eu não sou tão bom quanto dizem. A minha certeza é o incerto que eu sou. A característica mais forte do meu sentimento é feito de música alternativa. Não existe algo mais subjetivo do que isso. Portanto, não queira entender as minhas longas e vagas epopéias. Já não traço mais a torcida, cansei de bancar o querido. Os bons somente se fodem. O “x” da questão eu desmembrei, transformei em duas paralelas que espero não se encontrarem no infinito. Nem no particular, nem ao meu redor. A Marisa Monte ainda tem o que dizer. Se bem que ultimamente estou curtindo outros românticos. Nem vou citá-los para não cansar a paciência. Pois bem, inverto agora o que já fiz antes. Não esclareço mais a claridade que perdi na última fagulha que acertou o meu olho míope. Descrio a cria que embalei com lullabyes. Aproveito e pego carona na canção e tiro um ronco. Chega de bondade.

Uma frase para derrubar as outras

O amor é brega. Uma nojeira capaz de retardar o culto, distorcer a ópera, borrar a arte. É o sentimento mais xaroposo, gosmento e ridículo. Ele deixa a pessoa com sintomas infantilóides, fazendo qualquer um murmurar gracinhas que terminam em “inho”. Fofinho, bonitinho, abracinho, beijinho. Retrocessos diminutivos que deixam qualquer um nominado como imbecil. Ele é brega porque acaba transformando qualquer declaração em petardos românticos. O ser atingido pelo amor é capaz de soltar frases de impacto, como: você é o recheio do meu sonho. Pesaroso. O amor é meloso. Faz com que o humano ouça beleza em canções tão díspares quanto chatas. Uma nota qualquer acaba se tornando tema de novela da vida real. Engraçado como as pessoas se identificam com os casais dos folhetins. Os telespectadores se emocionam até com o Big Brother! Um beijo em horário nobre tem mais vazão em quem possui um coração para amar. Não está vendo? O amor é de uma breguice que somente o Odair José consegue cantar. Robert...