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Momentos Bukowski

Momento Bucowski da positividade: “Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.” Momento Bukowski Minha Casa, Minha Vida: “Definição de um bom bairro: um lugar onde a gente não tem condições econômicas de morar”. Momento Bukowski da sinceridade: "A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais". Momento Bukowski da alegria: "Se o homem pode fazer apenas uma pessoa feliz durante toda uma vida, então sua vida foi justificada". Momento Bukowski de anedótas: "A diferença entre a Arte e a Vida é que a Arte é mais suportável". Momento Bukowski de ilusão: "Gostava mais quando conseguia imagina...
Amor de plástico comprado em bordéis do Líbano Com putas traficadas da Colômbia Por pessoas nascidas na antiga União Soviética. Amor de plástico adquirido na China E importado pela Argentina, Encontrado em esquinas próximas Do estádio do Boca. Amor de plástico vindo de ruas pato-branquenses Trazido por imigrantes japoneses Que atuam como médicos nas horas afoitas. Amor de plástico do sul do Chile Engarrado em belos vinhos latinos Que são trazidos por muambeiros uruguaios Pelas estradas do Rio Grande do Sul. Amor de plástico comprado por caminhoneiros gays Que viajam pela América do Norte Com destino ao Canadá dos sonhos Que franceses querem habitar Amor de plástico inspirado em Disneylândia De titânicos paulistas de outras Augustas E querem ver amores cagar Em bares coreanos do Brasil.
Um coração selvagem arrebenta a alma de um poeta caído. A tristeza se esvai para outras redondezas. A vida ganha um novo sopro na descoberta acidental. A pureza já perdida percorre novamente pelos poros da satisfação. Os olhos se fecham para receber o carinho.  As mãos tocam lentamente o pulso de prazer.  A beleza antes não era percebida. Agora há a entrega do sentir. O vazio some como se estivesse escorrendo pelos dedos. A pele se encontra com a outra e não desiste. A cabeça  viaja em pensamentos recentes. Difícil acreditar que está acontecendo. Os lábios exploram o desconhecido. As outras experiências se dissipam. O caos do início vira compartilhamento. A sensação se torna troca. O carinho, perfeição. As pernas se enroscam. A respiração alcança o ápice. O deslize é frequente. O rápido fica lento. Os beijos, permanentes. A explosão chega logo. A luz penetra os olhos. O gemido, vocalização. E o final é um trejeito. Logo se separam para repousar. O explícito fica tímido. A...

Carta ao Starman

Caro David, infelizmente, não estou de Bowie. Saber que você pegou sua nave e partiu para longe, me deixou os olhos suando. A primeira vez que te vi, foi numa das várias incursões cinematográficas as quais viajou. Ao te admirar no filme Labirinto, de 1986, aos cinco anos de idade percebi que ali nascia um messias para mim. Fiquei tão fascinado com a sua presença, que rebolei muito ao som de Underground. Não entendia sequer uma palavra sua, mas o que importava era o ritmo. E isso o senhor tinha de sobra. Algumas pessoas não vieram ao mundo a passeio. Definitivamente, você está nessa categoria. Aliás, nem sei se era um humano. Eu acho melhor chamá-lo de entidade, de força sobrenatural ou de hipérbole extraterrena. E lá da Blackstar os seus olhos de cores diferentes nos observam, tenho certeza. Sinto uma pena tremenda de quem nunca ouviu falar do senhor. Sem a sua presença, o universo musical da Terra perdeu muito da sua graça. Vários insistiram em rotulá-lo como o Camal...
Já não sei mais o que pensar, nem em como agir. O fato é que para os próximos relacionamentos amorosos, se existirem, não saberei o que sentir. Não gostaria de me tornar uma daquelas pessoas que dizem: nunca mais me apaixonarei de novo. Tão clichê isso. Mas se for pensar pelo viés do se machucar, acredito que não sobreviverei a outra desilusão. Posso dizer que tive três namoros. O primeiro, doentio. O segundo, ciumento e confuso. O terceiro, doentio, ciumento, confuso e devastador. De todos, o último, com certeza, é o que deixou feridas homéricas. Boa parcela da culpa é minha, mas percebo que faltou mais delicadeza e entendimento por parte do outro. E agora? Quero que se foda. É isso. Fim.

Síndrome

Quem sente síndrome do pânico sabe o quão terrível é ter os sintomas durante o trabalho. E trabalhar em rádio com essa ansiedade toda é o desespero retratado nos olhos. Nos últimos dois dias têm sido assim. Levanto bem, apresento com meus colegas o jornal matinal, repasso as notícias, faço comentários e vou me preparando para os textos do restante da manhã, além de algumas edições de áudio. Nesse momento, tudo começa a rodar. A concentração me escapa, fico mexendo toda hora na sobrancelha, como se ela fosse um botão que reiniciasse o meu cérebro. Ponho os fones de ouvido para aumentar minha percepção do que estou fazendo e sai tudo no automático. Odeio essa sensação. Tudo parece que sairá do controle. Tenho vontade de sair correndo, me bater contra uma parede, de berrar vários nomes e de arrancar minha espinha dorsal com um facão. Desde 2008 é assim.  Começou quando sobrevivi a um relacionamento complicado. A primeira vez que ela visitou a minha cabeça, eu achei que estava enlou...

O amor é caos

O seu lado do guarda-roupa ainda está vazio. Encaro a porta todos os dias, ao acordar. O sentimento? Não sei explicar. A intenção de deixá-lo assim, menos ainda. Minhas coisas continuam atoladas nos espaços que me foram cabidos e designados. Tudo meio embolado, conforme a vida nesse momento. Mesmo assim, sei onde estão todos os objetos e roupas. Ou seja, há uma organização no caos. Aqueles bilhetinhos de amor outrora colados no móvel não se encontram mais. Confesso que foram rasgados. Arrependo-me de tal ato. Tinham mensagens ali que eram lindas: escritas em momentos de sinceridade original. Talvez o imediatismo de apagar as memórias me levou a covardemente tomar a atitude do desapego. Porém, me pego a cada duas horas a relembrar aquelas frases que jorravam amor. Estou dormindo do outro lado da cama que, aliás, não é a mesma. Tive que me desfazer da antiga, pois não conseguia mais repousar nela. Sentia uma angústia terrível ao me deitar e perceber que você não estava ao ...