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O Último Desejo

Calmamente ela se aconchegou entre almofadas e cobertores. Antes, vestiu o seu pijama predileto. Colocou os fones de ouvido e acionou o play. A melhor companhia nos momentos de paz é a música. A melodia deslizava macia pelo tímpano da moça que pensava no futuro próspero. Imaginou uma vida de sossego, mas logo outros devaneios pediram licensa às linhas de raciocínio. Fechou os olhos. Iniciou uma viagem a outros mundos de realidade fantástica. Julian Cassablancas surgia vestindo um jeans e um terninho cuidadosamente desarrumado. Ele convidou a moça para subir ao palco, como se fosse um Bono Vox underground. Ela abriu-se em gargalhadas de alegria exacerbada, capazes de ultrapassar a barreira do som. Não exitou e roubou um beijo ardente, certeiro na boca como se fosse o último. Logo percebeu que estava em sono, mais um sonho roubando a noite. Saiu correndo através de uma úmida rua de Nova York. Sem explicação alguma, encontrou a Courtney Love cheirando uma carreira em um canto da grande ma...
O alt. country que, deveras, nem sei se existe ainda, sempre emocionou a globosfera frontal do cerebelo. A minha banda preferida do estilo era a Wilco. O grupo pirou um pouco em decertos trabalhos, mas acertava em cheio as mudanças seqüências da carreira. Ainda não pude ouvir o último álbum dos caipiras. Alguns certeiros o classificaram como soft rock, algo que foi negado pelo guitarrista da trupe. No início da década de 2000, uma levada de artistas surgiram no meio musical norte-americano influenciados pelo som de Neil Young, The Band, Crosby, Nash, Johnny Cash e Dylan. A vertente disso tudo logo recebeu um rótulo pela crítica especializada, chamando os expoentes de seguidores do alt. country. Determinados xiitas não gostaram muito do nome, preferindo ser considerados apenas como alternativos. No entanto, não há como negar que a rotulação caiu exata tão boa quanto limão na caipinha. Discussões e desagrados à parte, o gênero fez nascer compositores tão jucundos quanto sagazes. Um dos q...

Mercado de pele

Povo em transe na fossa nova. Coletividade de sentimentos tristes ao som de desbravados deletérios mal interpretados. Uma rapsódia número 02 em ré menor perfura o carisma da melancolia. Trata-se de um outro texto com segundas intenções e mensagens não escondidas. A voz guia desafina no desatino. Rebela a causa da população na busca pelo auxílio. As crianças febris vão perdendo os dentes nas grandes filas que se formam. Os pais vão gerando outros nos cantos sem a companhia da TV. Drauzio Varella comunica em tom calmo os apontamentos dos carentes que entregam a vida ao mercado de pele, mercado de carne, mercado de órgãos. Enquanto isso, um político sem um dedo recebe boas vindas em um evento esportivo. O jacaré que representou o Pantanal devorou o mindinho do não anfitrião. O dedinho serviu de café da manhã com o presidente. E o Renan Calheiros vai se vendo cada vez mais artista da Casa dos Senadores, novo programa que será elaborado pelo Sistema Brasileiro de Televisão, do Silvio Santos...

Saudosismo

Bateu um saudosismo. Dos grandes. O telefonema foi ótimo. Agora ficam as canções tristes. Valeu mesmo. Como era bom o passado vadio de tardes não vazias, mas completas. Os verões eram os melhores. Divertido em estar. Fora as viagens de disputas malucas entre cidades vizinhas. Madrugadas com conversa. Desilusões. Frustrações. Brigas. Alegrias. Felicidades. Tristezas. Saudades. Às vezes você causa uma falta enorme. Pois bem, as outras ladainhas da lembrança já foram mandadas por e-mail. Deixo então a letra da canção que nos lembra. Valeu Sandrey! Reflexos e Reflexões Paulinho Moska Diga aí amigo... Como vai você? Estou aqui contigo Você também me vê Às vezes sou seu clone E você é o meu Não temos o mesmo nome Mas nossa vida se perdeu Em encontros e desencontros Do mesmo sopro Que atravessa eu e você Se estou contigo É porque estás comigo E nós não podemos nos perder

The Kooks

A melhor música alternativa de hoje vem da terra da rainha. The Kooks é mais uma prova que a Inglaterra ainda tem coisa boa para apresentar. Formada na cidade de Brighton, em 2004, conta com Luke Pritchard (vocais), Hugh Harris (guitarra), Max Rafferty (contra-baixo) e Paul Garred (bateria). O primeiro álbum dos caras se chama "Inside In, Inside Out" e permaneceu no Top 20 do Reino Unido durante mais da metade de 2006. Mais de um milhão de cópias do disco já foram vendidas e a banda excursionou por vários países do mundo. O debut da The Kooks é uma mistura de pérolas pops com refrãos chicletes que grudam no tímpano facilmente. Quando você menos percebe, após a primeira audição da bolacinha, ao menos já está assobiando as melodias de "Naive" e "She Moves in Her Own Way", sem dúvida, as mais saborosas. O grupo não apresenta nenhuma novidade sônora digna de outros conterrâneos, como Thom York ou Jarvis Cocker. Eles ainda são novinhos demais para chegar a comp...

Cego rever

Uma triste e bela canção arranca um pingo dos canais lacrimais. Faz-se forte a lembrança de um esquecimento que não se dissolveu. O causar de um arrepio viaja em alta velocidade através das veias. Foi mais um tombo medonho de frio e desatenção. Ninguém deseja um sonho ruim, mas eles aparecem na alta madrugada. A canção contribuiu no relembrar. Um caso por acaso causou um desabar. Fracasso em sentir um bom gostar. Travado um soltar de sentimentos repudiou o decepcionar. Abriu com os olhos a falsa esperança de criar. Jogou morno um arquétipo de imaginar. Parou no momento em que deveria não fraquejar. Deixou-se ao ar levando um fim. Traçou em memórias agonias sem iguais. O período dificultou os trejeitos do sentir. Revelou uma saída mortal de mentir. Foi triste a iguaria que bebeu. Amaldiçoou o alvo do acaso retumbante. Escorreu pelo ventre uma saudade definitiva. E sobreviveu na conseqüência do exuberante. Fechou novamente os olhos e se tornou a gostar. Deixou-se após o sofrer e seguiu p...

A quem eu mais amo

Glória em estar presente sempre nos momentos certos, mesmo que a distância insista em nos separar. Sorte e privilégio em tê-la como a pessoa que eu mais amo, admiro e confio. Diversão certa quando as nossas falas se cruzam. Sempre em que procuro ser o melhor, é por ti que dedico as vitórias. Ainda bem que outra vez agora você está, do contrário eu não seria assim tão feliz. Você que batalha entre os tiros da esperança. Você que pensa em mudança. Você que faz o seu melhor. Você que abre o meu sorriso mais sincero. Quero-te em um abraço para que me feche em você. O agradecer seria redundância, mas novamente agradeço. E o que seria de nossas histórias se não existisse Los Hermanos? "Nos mares por onde andei/ Devagar dedicou-se/ Mas o acaso a se esconder/ E agora o amanhã, cadê?". Mas foi nos primeiros versos da canção citada em que as lágrimas caíram em queda livre. Lindo! E seguimos, portanto. Finalizo, então, o começo, o meio e o fim de nós, com Liberdade, do Marcelo Camelo. ...