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Vale o Quanto Brilha

Alma da calma presente no corpo Que pede abrigo em alma outrora, Outrora física que se satisfaz Em fazer de retrato publicável, Publicável esse que absorve trama Que destramada observa viril Na viralidade de um vírus vil Que cansado pede a cama. Bate forte dentro do peito o leito De leite em borda transpirando nata De calor em adjacência pulsa Um pulso fraco de memórias claras. lsH
  A garoa fina dá o tempero. Na sala, em um velho aparelho de som, uma linda canção embala o ninar das horas. Os olhos se fecham e ele pensa naquela situação que chamam de amor. Sua cabeça ainda arde memórias frias, mas a música ajuda como se fosse nicotina para um fumante. O coração lembrou traições e pulso um gole de sangue mais intenso pelo corpo. A dissonante adentrou o tímpano e conquistou alívio. Ele queria tudo de novo, no entanto, sem a dose do sofrer. Hoje se encontra em outro plano e quer viver mais emoções ao lado de um fruto doce, que veio como salvação. No entanto, a perfeição ainda não pode se realizar, pois não pode tê-la completa. Ele continua pensativo, confortavelmente abraçado pelo edredon, seu companheiro mais fiel. E a canção continua a acalmar sua ansiedade de pegar o telefone e realizar uma cagada. Mas a mente funciona mais do que a emoção.
  Nós clamamos por atenção. Às vezes somos tão individualistas que queremos ser o centro, assim como a Igreja recitava na época medieval que o Sol girava em torno da Terra. Galileu precisou se retratar. Com o tempo, nós, também nos retratamos, afinal, existem pessoas que giram ao nosso redor, ao invés de nós, girarmos ao redor deles. Mas quando percebemos, é tarde. Mesmo assim, mesmo com essa metáfora esclarecida até demais, queremos a atenção, seja em forma de carinho, afeto, abraço, dizeres, fraternidade e, acima de tudo, amor. Pena que não valorizamos. Pena que os outros não valorizam. Pena que não nos entregamos. Pena que só vemos quando se apaga. Pena que não giramos mutuamente, para assim, a forma ser completa como um círculo deve ser, como uma rota deve ser, como uma órbita exata para se findar, repleta de começos, recomeços e afins.
Chega esta época e bate a retrospectiva. O passado recente adentra a porta da cabeça. Nada melhor do que deixar as janelas do cérebro receberem a canção Please, please, please, let me get what i want para ajudar a relembrar. Eu nunca soube, mas a música praticamente nasceu comigo. God times for a changes. Rabiscando alguns pensamentos em vão, o retorno ao berço satisfaz a gratidão momentânea. O sorriso se abre como flor e pétala por pétala é arrancado no presente, aguardando, enfim, um futuro bom. Enquanto isso, os mesmos clichês repetitivos em bordões televisivos invadem os cérebros dos tranqüilos. Mas são os intranquilos que dão mais vazão aos sentimentos que jogados imploram por atenção. Nem sempre são vistos com nobreza. O clichê, por si só, é uma pobreza repugnante. Porém, é nesta época que eles possuem sentido.

Implacável Relógio

Cansaço persiste em triste descaso/ O acaso em limite se faz em atraso/ Limite em verso, controverso palpite/ O sorriso existe, no caso em riste/ Palpável de fato, indelével suspiro/ Espirro o momento, acato no vento/ Percorro sem tempo, o segundo perdido/ Implacável relógio, que para invertido. lsH
Longe, bem longe. Estado separado. Sinto tremendo, Afeto meu, desespero. Inseguro ar puro Apurado em feto Amputado nunca. Queria o jeito Daquele falado. Bem estreito Adentro íntimo. Tem que ser Com significado Com signo Com significância. Sem vingança Sem cretino Sem certificado. Tem que ser No ser tendo A serenidade obtendo.
Emprega em minha prega O seu lamento diário. Fraco argumento para despregá-la Mesmo sendo eu Uma puta sem documento. O meu amor está em guerra E o seu olho me fere em fera A sua guitarra me distorce Mas tenho o ouvido ferido. Reclama afoito o coito Não deixando mais do que um troco. Desconversa em público verso Para depois jogar o inverso Que não entendo anexo. O seu amor não é pagável Inviável sentimento apresentado Sentado me quer nua Naquela nuance absurda e muda.