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Tem que saber

Fantasiando um amor com papel crepom e lã. Viajando em um pensamento utópico, acompanhado pela delicadeza ácida dos Delgados. A canção ideal para divagar é No Danger, do segundo álbum dos escoceses. Doces melodias que precisam ser degustadas solitariamente. Alguns não dão valor aos momentos individuais. São poucos os que sabem se sentir bem assim. Correto está Rubem Alves em admirá-los. De qualquer forma, Delgados é a companhia ideal para essas oportunidades. Adore, do Smashing Pumpkins, também é boa indicação. Em mais quem versos como "love is good and love is kind, love is drunk and love is blind" fariam tanto sentido? Nos solitários essas frases são líricas, poesia refinada de sabor incomparável.

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Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...