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Não sei até quando vai durar. O coração não suporto mais os desafios. A cabeça não acompanha o raciocínio. Os olhos não mais enxergam o fim. Mais uma crise. Não estou falando de amor, estou falando da vida. Da minha. Não tenho mais a esperança de dias melhores. Não sinto mais o sabor das belas manhãs. Confundo a dor de agora com taquicardia. Não foi. O exame apresentou outro resultado que, aliás, eu já sabia. Angústia. Ansiedade. Tristeza. Eu, que nunca acreditei nas doenças psíquicas, agora sofro junto. Difícil perceber que acabei entrando nessa. A modernidade vista no passado me causava outros sentimentos. Percepções logicamente erradas. Enfim, bem-vinda depressão, seja lá o que você queira. Sempre achei que somente os fracos de razão pudessem sentí-la e permití-la adentrar o corpo. Nunca imaginei o quão forte a sua manifestação poderia causar. Basta engolir os comprimidos.
Não sei até quando vai durar, mas agora entendo melhor aquele conto do palhaço que, depois das piadas, tira aos prantos a sua maquiagem nos bastidores.

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