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Pânico

Tudo perdido entre os dedos tortos que nada mais seguram.
O que era alívio hoje causa arrepios no córtex que aos poucos apodrece.
Um constante movimento gera aflição nos olhos que reviram procurando solução.
Artifício constrangido de face esprimida que outrora abria um sorriso devastador de alegria.
Derruba uma água do binóculo natural o qual foi concebido sem a perfeição.
Justifica os atos violentos em sangrentos copos de líquido transparente.
Não quero outra volta, nem inocente, nem inconseqüente.
Desejo o tranqüilo daquilo que um dia eu vi
Mas perdi em pó a vida.
Espero sem noção a porção
Aquela que tira os pecados do mundo
Somente para rasgá-la em vezes inacreditáveis
E reescrevê-la da maneira adequada aos dias atuais,
De pólvora, carvão, foice, facão, terra, engrenagem e capitais.
O corpo sagrado consumido com razão desce ao fóssil quase cancerígeno
Uma última benção de cálice e justiça à injustiça situação do pânico que estabelece
Uma força sem vontade de continuar na trilha da crucificação beata dos seus celibatos.
Nunca desejei tamanho sacrífico de aguentar a situação do desespero que, espero, termine.

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