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Madrugada. Solidão. Lembranças insistem em permanecer. Tudo faço para assassiná-las. Ainda assim, não consigo. Machuca o coração. Até quando, me pergunto. Se eu soubesse a resposta, soubesse o tempo, soubesse a hora, ficaria muito tranquilo. Extremamente calmo. Eu saberia como seguir a vivência.

Lembrei de uma noite, abraçados, comentando coisas da vida, traçando o futuro, recordando como ficamos, como nos conhecemos, como nos beijamos. Como foi bom. Mas agora, o amanhã, cadê? Sim, me pego ouvindo o Camelo nesses momentos. O Otto, no entanto, tenta me confortar. Na letra de "Seis Minutos", eu procuro auxílio. "Não precisa falar nem saber de mim. E até pra morrer, você tem que existir... Nasceram flores, num canto de um quarto escuro, mas eu te juro, são flores de um longo inverno. Isso é pra morrer... Seis minutos, instantes, acabam a eternidade. Isso é pra viver, momentos únicos, bem juntos, na cama, de um quarto de hotel e você me falou de uma casa pequena, com uma varanda, chamando as crianças pra jantar". Dói.


Eu sei que faz tempo. Não devia nem estar pensando mais. Isso é para morrer. E é exatamente isso que a cada dia me mata um pouco. Se a dor do fim de um amor é uma das piores coisas que alguém pode sentir, que merda, pois ainda continuo no ranking do Clube do Coração Partido.

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