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Saiba de algo: eu te amo. Tenho aqui comigo um sentimento extremamente forte, que faz jorrar as palavras mais óbvias. Ele é sem rodeio, o que não me dá vontade de escrever hipérboles. Só quero ser direto no fraseado, como o amor deve ser. Nada de analogias ou metáforas. Somente o lindo sorriso seu quando me declaro, deitado ao seu lado, na minha cama, com a luz do abajur iluminando o seu rosto, vale qualquer coisa. Vale a minha lágrima de alegria, vale minhas dúvidas, vale a minha profissão, vale a minha vida. Eu sei que estou bancando o apaixonado açucarado, com tamanhos "eu te amo" ressaltados todos os dias, mas a intenção é de beleza, como o seu corpo junto ao meu, como o seu beijo, como as minhas mãos em suas costas, como os meus dedos deslizando em seu cabelo, como a minha boca mordendo levemente a sua orelha, como o seu terno abraço. É, bem isso: eu te amo. 

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Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...