Pular para o conteúdo principal
Como essa saudade está demorando para passar. Fico pensando nos momentos que estaríamos aproveitando nesse sábado de sol. Seria um dia vadio, de brincadeiras, de sorrisos, de cantorias, mas também de mau humor, de sonolência e de neutralidade. Sinto falta disso tudo. Da nossa cama ruim, que doei, dos cigarros na sacada, do silêncio às vezes constrangedor, das garrafas d'água, das falas cortadas e de assistir os mesmos filmes. Eu queria tanto esquecer todas essas coisas, para conseguir seguir. Você me pediu para deixá-lo ir. E eu deixei. Uma grande mentira que carrego agora aqui comigo. Já se foram litros de cerveja, cartelas de fluoxetina, visitas ao pronto-socorro, quilos e fome de menos. Maldita situação a qual não sei conviver, cujo aprendizado já deveria ter ocorrido. E por quê? Maldito amor que vira sofrimento: essa vontade de arrancar o cérebro com um estilete, de perfurar os olhos com pregos, de cortar o coração com uma faca Ginsu. Eu apenas queria hibernar e acordar num dia que não houvesse mais amor.

Postagens mais visitadas deste blog

Para o amor, o bastar O exagero, o gostar A carícia, o acordar O café, o sorrir A voz, sussurrar O beijo, o selo O abraço, o continuar lsH

Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...