o esquecimento da prece, daquele dia de sol, banhado de laranja pelo rosto, como uma promessa cumprida, não sei se merece. não sei se merece ser deixada ali jogada. tantas outras se foram que essa não carece. não carece de rompimento apesar da minha não sabedoria. poria em algum pote metálico para conservar, só que não sei se um dia vai querer olhar. olhar lá no fundo, aquela minha memória mais feliz. mais feliz da vida, na prata do mar abençoado por deuses falecidos. falecidos como os sonhos que escrevíamos em postais colados em nossas paredes de memórias. memórias de dias vividos e divididos com a mistura do melhor sentimento e depois com sofreguidão. sofreguidão que eu jurava ser apenas uma fase que passaríamos como os pássaros negros que pousaram e se foram. contudo, não. o que ficou foi a tentativa de esquecimento da prece, que não padece porque te amo.
Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...