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Balada triste

Uma triste canção ao piano faz companhia. O quarto está esfumaçado. Farpas foram recém recolhidas com todo o desgosto de um fim prévio. O rapaz fugiu pelo retângulo mais próximo, sem dizer adeus, sem sorrir, sem amor. A outra figura ficou nas lágrimas que se suicidavam em queda livre e encontravam o lençol. Lá fora a luz em neon ainda insistia em permanecer acesa, invadindo sem licença pela janela do quarto de motel. E a balada triste continuava a embalar a tristeza repentina. Somente puxando pela memória para lembrar.
Um desespero surdo subiu em instante, estacionando na boca uma ânsia jacosa de tremor e ódio, mas, estranhamente, com um amor profundo, mesmo que perdido ele se foi. Ela não sabe dos sentimentos. Ela desconhece os dizeres. E ele não deu valor ao gostar, à paixão, ao companheirismo. Quando ficou sabendo da notícia, soltou um berro de proporções cavalares, fugindo da cama dividida a dois. Era um novo ser que estava sendo gerado, um acidente involuntário que ele não poderia dizer "eu te amo". Um desgosto.
Logo após o acontecido, um garfo pôs fim ao nascimento.

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