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Se entrar, eu saio.

Se entrar na minha vida, eu saio. Não faça mais desafios. Eu não os alcanço. As dúvidas já foram jogadas, agora dou a descarga. O calafrio não mais espero. Eu quero a tranqüilidade. Tento esquecer o meu lado bandido, mas sempre tenho um pouco de sangue em meus punhos. Apago aos poucos o meu passado sofrido, porém, sempre apago pouco. A memória vai ficando cheia, repleta, completa de desatinos. Não esqueço o que eu queria, pois o meu querer é possessivo. Mesmo assim, caso entrar na minha vida, eu encho a boca e digo que eu saio.
Não quero mais guardar lembranças. Está na hora de viver audácias, presente, futuro. Quem gosta do passado são os museus. Ainda existe espaço para recomeçar, confesso, apenas cante em meu ouvido uma canção da Tori Amos que eu me entrego. Infelizmente, sou fácil. E ambíguo.
Caso preferir me chamar de cretino, sem problemas, carrego sempre a cretinice em meu bolso. Apenas um charme de gratidão. Se não gostar mais dos meus beijos, existem outros por aí, espalhados em doses de alcatrão. Se confundir os outros lábios com os meus, eu entendo, afinal, é uma questão de tesão. Agora, se passar por isso e ainda quiser arrombar o meu coração, traga uma chave-inglesa e um punhado de canções. Nada é nunca e nunca é nada. Nunca diga nunca.

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