Muito prazer, sou Leonardo Handa, jornalista nas horas cheias e nas vagas, divagador. Amante de música, cafetão de cinema e traficante de literatura. Gosto de dormir com a Fiona Apple, mas sempre acordo com a PJ Harvey. Já fui desenhista e acabei como letrista. David Bowie foi o meu expoente na infância, muito por causa do filme Labirinto. Hoje admiro outros ingleses, porém, o camaleão ainda tem a sua relevância no meu tímpano. Não gosto de mentiras, mesmo sendo uma, e prefiro as verdades inventadas. Não gosto de novela, falta paciência, e odeio comida tailandesa. Tenho um lado extremista e sou adepto à geografia. Meus ideais são discretos, mesmo com o Che Guevara em uma das minhas camisetas. Prefiro ainda o Chico Mendes.
Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...