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Meu underground. Minha memória sem lembrança. Minha lembrança sem memória. Meu livro sem frases. Meu canto sem lados. Minha dislexia sem consoantes. Minha música sem nota. Meu grito sem voz. Meu tempo sem espaço. Meu teclado sem letras. Minha queda sem ar. Meu relógio sem ponteiro. Meu passado sem história. Meu futuro sem previsão. Meu signo sem horóscopo. Meu amor sem sentimento. Minha sinuca sem caçapa. Minha tristeza sem razão. Meu coração sem artérias. Minha fotografia sem luz. Meu calendário sem datas. Meu concreto sem cimento. Minha planta sem semente. Meu genoma sem pesquisa. Meu prato sem comida.


Meu underground...

... Minha simples ironia.

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Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...