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Entre nós dois


Reacredito naquilo que chamam amor. Mergulho no bom sentir das trocas de palavras que para mim são carícias de alívio. Se não conto com o contato, aproveito a falta de tato no aguçar da imaginação. Um dia presente eu encontro, aí sim meu gozo completo será transporte de felicidade. Minha alegria será a sua. Meu sentimento será mais puro. Minha dose será a sua saliva. Meu açoite será o seu verso colado ao meu tímpano. Meu ápice será seu gemido. Meu caos será completo.

O deslizar pelo seu lábio será complemento da minha dormência reprimida, que quero um despertar com o toque da sua mão. Quero me perder em dizeres praticáveis. Vivenciar aquilo que chamam fruto, levantar a sua estima a favor da minha. Quero dois para únicos ficarmos. Quero dois para únicos conseguirmos. Quero dois para seremos cada qual, na personalidade da divisão, juntarmos os corpos no mesmo espaço, dividirmos as mazelas, as horas, as idiossincrasias e os lábios em dois. Dividirmos a cama. Dividirmos a janta, o café e a panqueca. Dividirmos somente entre nós dois. Solamente.

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Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...