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Fato

Fico sem jeito. Não sei ao certo como devo proceder, se converso ou se ignoro, se tento ser amigo ou mais um conhecido. Nesse momento uma ótima canção serve quase como mantra: "evitar a dor é impossível, evitar esse amor é muito mais, você arruinou a minha vida, me deixa em paz". Eu queria conversar normalmente, mas sei que a culpa é minha por não fazer isso, afinal não quero saber as verdades, com quem você está saindo, essas coisas. As mágoas ainda estão expostas e me sangram quase todo o dia. Dizem que se cura com outro amor. Que clichê mais destruidor. Talvez seja real. É o que estou tentando.

De toda a maneira, vou deixar bem claro que sinto a sua falta, o seu abraço, o seu perfume. Sinto muito, mesmo não precisando sentir, afinal o culpado não fui eu. Sinto por você ter deixado de me amar, sinto por ter sido trocado, sinto por ter sido esquecido. Não quero me fazer de vítima. O fato é que sou. Infelizmente sou.

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Para o amor, o bastar O exagero, o gostar A carícia, o acordar O café, o sorrir A voz, sussurrar O beijo, o selo O abraço, o continuar lsH

Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

Onde Moram os Moleques

Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...