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Tarde

Falta paciência às vezes. Encarna um espírito de porco e se desconcentra rapidamente. Tenta relaxar ao som de alguma canção da trilha de Elizabethtown, mas só consegue aumentar a ira. Não se suporta mais. Vive em jogos de cartas, cigarros e vinho vagabundo. O corpo arde. Uma febre nada convencional. O carisma escorre pelo ralo do chuveiro em forma de porra. O hálito fica ácido enquanto fica olhando a foto do portarretrato trincado, presente no criado-mudo. Tenta pôr tudo para fora através do vômito.
Não consegue focar seu objetivo. Entorta mais um gole. Perde-se na curva entre o banheiro e o quarto. Vira mais um. Bate o dedinho na quina da cama. Bebe mais. Atira o copo pela janela do oitavo andar. Era de plástico. Joga-se na cama e vê os próprios olhos sairem pelo nariz. Ele queria beber mais um gole, mas lembrou que jogou o copo. Fecha as pálpebras... E dorme sem paciência, já que mais um dia vai amanhecer tardiamente.

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