Eu sou do tempo em que a gente se telefonava, já dizia a cantora Bluebell. E como é bacana receber ligações, mesmo que tarde da noite, de amigos queridos. Apesar dos anos, a ferrugem nunca descansa. Ok, tentei parafrasear o Neil Young e não ficou muito bom. Mas são esses pequenos momentos da vida que nos fazem abrir um sorrisão. Te amo cara! O legal é a dor no ouvido, depois de ficar 1h52 ao telefone para colocar o papo em dia. Minutos que foram insuficientes, no fim das contas. Tive que desligar. Não ia cagar falando contigo no telefone, né? Um mínimo de respeito, apesar da amizade.
Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...