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Bilhete a uma amiga

Tudo bem Sonara, como estão as coisas? Eu continuo aqui com o meu boné, que você tanto abobinava. Depois de passada todas as etapas, as apresentações de monografia e projetos, sinto-me mais leve, um sentimento sem culpa de ter realizado um trabalho interessante nesses quatro anos de labuta e dedicação. Foram tantas coisas acontecidas e outras que espero veemente que aconteçam. Não foi um ano fácil, há de concordar. Mas, de qualquer forma, não posso dizer que foi ruim, afinal, "a vida tem sido generosa comigo". O que mais sinto é estar distante de duas pessoas que tanta falta fazem: você e a Aleta. Às vezes estou em casa sozinho e no final de semana não tenho mais a escapatória de invadir o recinto de vocês, já que longe agora se encontram. Minha consolação é colocar no som o álbum Eco do Jorge Drexler, acender um cigarro e ficar curtindo solitariamente um café frio, diga-se de passagem. É nesse momento que relembro quando ia na casa de vocês e ficava jogando conversa fora, não no lixo metafórico e, sim, na massa encefálica mais feliz. Momentos simples, eficazes, gostosos e eternos, registrados carinhosamente pelos olhos nipônicos que a genética me deu. "Todo se transforma", já cantou o uruguaio que amamos. Aproveitando o momento citação, destaco Alvin L: "A vida pede provas e quem ama dá". Não pude oferecer todas as provas, mas saliento que o amor amigo ainda existe e existirá, para sempre, sobretudo. Um dia ainda nos veremos e as risadas também estarão presentes. E eu continuarei com o mesmo boné.

Obrigado por tudo.

Beijos e abraços

Léo

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