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De leve

De leve um sono bate. Leve em termos corretos. Levemente aflito, também. Levando em conta o horário que mais tarde fica. Além do mais, leve em consideração o transtorno do momento. Um tic tac feroz arrebenta com o tímpano. Ele sangra. Jorra o líquido vital pelas veias rompidas. O carro ainda está em exposição: destroçado.
O tempo passa. Novamente, tic tac, tic tac, tic tac. O relógio na parede da sala de espera não se cansa. O pensamento amigo não cria verdades positivas. A angústia aumenta. O tormento bate. Tic tac, tic tac. O coração aflito bate freqüente. Mais tic tac. Uma vontade de dar um tiro certeiro no relógio. Procura um sofá. Recolhe o rosto. Pensa no pior. Um médico chega. Notícias ruins. Notícias terríveis. Lágrimas em instantes.
O sono se perde no leve passar das horas que agora parecem não existir. A existência em um adeus, seco, pálido, triste. Procura o telefone para a ligação mortífera. Chora. Deixa-se em desespero. Sofre. Escorre pela parede o corpo que ele encostou. E dorme.

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