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Voe

Voa criança sem asas de anjo. Encontre no céu as respostas sem nexo. Procure os pássaros que você não conseguiu pegar. Veja de cima a situação causada. Observe os pobres que por aqui agora rezam. Lágrimas continuam nascendo e morrendo dia-a-dia. A movimentação segue pelos olhos de vidros que ainda registram o ocorrido, as grades, o apartamento, os advogados e os possíveis envolvidos. Veja como isso se tornou uma saga. Talvez você não entenda o sentido da palavra, mas deixe-se invadir pelo universo. Ninguém vai tirar o seu mundo. Não agora. Dê um "olá" ao colorido de borracha perdido no ar. Um mar neutro de sinceros sonhos. Alguns perdidos no azul também querem. O clima continua explodindo em terremotos chineses, em terrenos orientais. A mãe Dináh, uma pena, não nos avisou antes. Então sorria criança, quem sabe as asas de anjo cresçam em suas costas. Voe para nunca mais voltar.

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Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

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Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...