De fato um traço eu risco, no artigo de rabisco do seu rosto. É claro que insisto, e arrisco um palpite. Um trâmite eu desenvolvo, mas não quero nada de novo. Apenas um asterico para relembrar. Outra vontade foi pensar. Agora ao quadrado elevado, um certo traço é riscado. Contradigo o início, recomeçando o contrário. É um artifício de perigo, mas eu confesso: sou ordinário. Então um caso é beijado, meu rosto fica desfigurado, me perco no acaso e não retorno ao passado. Mas resta um resquício, pegajoso e ultrapassado.
Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...