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Sem título específico

A alta madrugada consome, mesmo com o sono presente que não quer descansar. O isolamento do pensamento não adianta, porque a insônia devora os espaços ainda funcionais do cérebro. Trata-se da falta do descanso, mas o corpo ainda frenético não quer. Por pura teimosia atiça as outras partes, convidando para uma dança solitária. E as horas passam.
Os olhos se fecham e o movimento da luz corrompe a córnea ferida a golpes de sílabas tônicas, acompanhadas de ritmo eletrônico que penetram o tímpano desprotegido. A fumaça do cigarro adentra a garganta sem pedir licença alguma e atinge o pulmão já destroçado. A bebida também se faz presente enquanto os segundos vão devorando a noite. Os seres noturnos sofrem de distúrbios.
A tríade sexo, drogas e rock'n roll bate estaca nos neurônios bêbados da cabeça desvairada. Mas, o que ele sente é outra coisa. Mais uma noite mal dormida. Canta um mantra sem sentido específico e engole um cumprimento engasgado. Volta para casa tropeçando na saudade e relembra o amor diluído. E, novamente, se deita na cama vazia e abraça a insônia com vontade. É por culpa do sentimento que ele não dorme.

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Acertos maus

Contato ausente Em pele quente Que arde dor De passado beijo Desfeito antes Recriado oposto Delicado gosto. Mentira exposta Na boca torta De beleza oca E fala morta Que acabou O amor incerto De brigas boas, Acertos maus, Vontades outras, Saudades poucas. Ainda há bem Outrora ruim Um desejo em mim De tragar o fim Engolindo gim.

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Viajo dentro de uma canção, acompanhado de uma boa xícara de café. Relembro uma infância. Tempos difíceis, mas divertidos. O coração na boca ao pular de um muro alto em uma caixa de areia. Tardes vadias em uma madeireira abandonada. Um quase tétano pego em uma lâmina. Um amigo lá para dar a mão. Início de noite em um pé de ameixa. O horário de verão era sempre comemorado com a empolgação cavalar. Um rádio a pilha. Uma sintonia qualquer. Um pôr-do-sol no interior. Os joelhos sujos, as canelas arranhadas. O All Star acabado. A conga destroçada. O riacho sem peixe, as pedras com rostos humanos, os pássaros soltos. O cachorro companheiro, as piadinhas inocentes, as revistas de catequese. As aulas cabuladas, os dias de futsal, as camisetas brancas limpas com Omo. O truque da moeda, a brincadeira do copo, o medo de ser pego. As meninas de Azaléia, os vestidos rodados, os ensaios na casa mal-assombrada. As noites de sábado. Videogame com Baconzitos. As conversas de madrugada, os sonhos adiado...