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O alt. country que, deveras, nem sei se existe ainda, sempre emocionou a globosfera frontal do cerebelo. A minha banda preferida do estilo era a Wilco. O grupo pirou um pouco em decertos trabalhos, mas acertava em cheio as mudanças seqüências da carreira. Ainda não pude ouvir o último álbum dos caipiras. Alguns certeiros o classificaram como soft rock, algo que foi negado pelo guitarrista da trupe.
No início da década de 2000, uma levada de artistas surgiram no meio musical norte-americano influenciados pelo som de Neil Young, The Band, Crosby, Nash, Johnny Cash e Dylan. A vertente disso tudo logo recebeu um rótulo pela crítica especializada, chamando os expoentes de seguidores do alt. country. Determinados xiitas não gostaram muito do nome, preferindo ser considerados apenas como alternativos. No entanto, não há como negar que a rotulação caiu exata tão boa quanto limão na caipinha. Discussões e desagrados à parte, o gênero fez nascer compositores tão jucundos quanto sagazes.
Um dos que ganharam mais destaque com toda essa ladainha informativa foi o queridinho pegador de moças espertas também conhecido como Ryan Adams. O cara possui uma inspiração tão aflorada que chegou a lançar três discos em um único ano, algo totalmente fora dos padrões fonográficos. E foram justamente esses álbuns os melhores da sua carreira ainda recente. Muitos começaram a chamá-lo de new-neil-young. Um exagero. Adams é bom, concordo. Entretanto, está aquém das maravilhosas sinfonias caipiras do deus que é o Neil Young. Quem assistiu ao show no Rock in Rio de 2001 do Young pode comprovar isso.
Chego, portanto, às vias de fato. Dos vários discos do Ryan Adams, o meu preferido é Cold Roses, que possui uma das mais belas canções já compostas por um homem: Easy Plateau. A bolachinha conta com o acompanhamento da banda Cardinals, companheiros de longa data do ex-pegador da Alanis Morissette e Wynona Ryder.
O CD todo é de um primor conceitual sobre o amor, desilusões, lembranças, desgraças e bebidas. Um coquetel sônico que já fez parte de outros grandes álbuns de vários artistas, mas que nas mãos do Adams tomam um sentido mais ordinário e delicioso. É por essas razões que tenho vontade de dormir e acordar no Arkansas, Wyoming, Alabama ou mesmo em Goiás. Ok, exagerei no último Estado, nunca quis ser um sertanejo, apesar de gostar de música country. Ou melhor, alt. country. O Brasil ainda não sabe fazer esse gênero. Que dó!
PS: Post em homenagem à Marta Brod. Ela acha o Ryan Adams um tesão!

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