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Das coisas que não entendo e não me permito compreender.
Das verdades que não insisto, já que mentiras eu continuo.
Dos frutos mordidos, não tentados, que pedaços eu vivi.
Das palavras que não bebo, não mais me embriagado.
Dos casos retratados, recortados em meu mural.
Da casa que não vivo, apenas durmo sentado.
Da escada que não subo, só desço.
Do olho que não vejo, percebo.
Do lábio entreaberto.
Do corpo, nu.
Do rosto.
Só.
Do gosto.
Da função, apenas.
Do triste que não sinto.
Da solicitação que não permito.
Da noite que respiro, caminhando perdido.
Da lua que admito, contemplo estrategicamente
Da gota que confesso, perfura cristalina pela retina.
Do pensamento que viajo, outrora sem metas estabelecidas.
Do sonhar bastardo que um dia escrevo ouvindo algum bardo.
Do gostar desesperado perdido entre prédios altos e desesperados.
Das coisas que não entendo e não me permito compreender de inacabadas.

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