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Embarcadiço

Percorro o mesmo caminho. Ouço agora Bloc Party. Cadê os sonhos mais estranhos? Sinto ainda o cheiro do seu cabelo castanho. Olho para o pôr-do-sol. Reflito dores. Penso nas ações. Digo adeus às vontades. Necessidades contempladas na música, mas o sentimento sincero ainda se encontra em meus dedos. Sento na areia. Continuo a admirar o bailar das gaivotas em sincronia com a brisa marítima. Lembro da sua mão a deslizar nas minhas costas. Quero voltar. Presente momento de passado. Relembro. Não quero ficar. Futuro de encontro com o tonto desafio do sobreviver. Novamente, quero ver. Quero sentir. Abra os seus braços e me feche em um abraço para que eu possa amar.
Continuo a imaginar se o diferente mergulhasse de cabeça em um destino de possibilidades uniformes. Penso que se eu tivesse sacrificado um tanto do orgulho, as formas do esboço que chamamos "entrelaçar" alcançaria uma arte final de degustar. Se o meu erro foi sinistro, apenas conquistei uma parte do que gostaria de alimentar. O sentimento eu deixei escorrer entre seus lábios. Perdi.
O ar, no momento, reflete um dia de cansaço satisfatório. O mar calmo parece não ter levado outros humanos. As embarcações simplórias balançam em uma singela coreografia natural. O dia se despede perfeitamente dolorido. Ainda aqui bate um oco precipitado. Quero ficar, mas quero voltar. Irresoluto. Eu sei, confesso. Por isso, talvez, eu tenha perdido. Você.

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